<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849</id><updated>2011-04-21T22:50:13.353-04:00</updated><title type='text'>E o fim, para ele, enfim veio. Rogoroso.</title><subtitle type='html'>O fim veio mesmo. Bateu na porta e eu deixei entrar. Dei uma colher. Cuspiu catarro dentro. Pegou em minha mão. E me levou embora. Se é glorioso ou não, ainda não sabemos. Mas vamos espreitar o tempo. Ele vai nos contar.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111849560683778900</id><published>2005-06-11T09:12:00.000-04:00</published><updated>2005-06-11T09:13:26.840-04:00</updated><title type='text'>Novo blogue.</title><content type='html'>Amigos, vou entrar num turbilhão louco e vai ficar difícil postar. Abri um novo blogue: &lt;a href="http://minhaodisseia.blogspot.com/"&gt;Diário de Viagem&lt;/a&gt;. Acessem. Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111849560683778900?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111849560683778900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111849560683778900&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111849560683778900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111849560683778900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/06/novo-blogue.html' title='Novo blogue.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111838602140135043</id><published>2005-06-10T02:29:00.000-04:00</published><updated>2005-06-10T03:12:25.196-04:00</updated><title type='text'>Isso fica sem final.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dói deixar sem final um filho tão nobre, divertido e que seria sensual. Fica sem fim, como as dores do Arlequim. É um jeito banal de expressar meu apreço. Mas quem tiver algum adereço, seja ele chutado, escrachado, cuspido ou rebolado, que sirva pro meu desfecho, mande sem vergonha, sem medo do Zé Pamonha. Ele vai receber, olhar com atenção, talvez sem cabeça, e por no lugar que lhe for de dever, de direito, ou que mais der jeito. Mande, to falando. São tantas coisas acontecendo. Ela me veio falar. O mundo me cobrar. E ainda tenho que decidir meu último almoço: estrogonoffe original. Hum... ela gosta de me fazer feliz. Mas Ela parece não estar tão aí. Vou fugir da escravidão do ócio. Da melindrosidade dos dias não sem igual. Vou sentir falta, aquela que não quer que volte mais. Vou sem jeito, como o menino pepino foi um dia. Talvez eu vou de novo. Mas eu vou. Se um dia, estricnar a fuça e debulhar a cabeça, volto, penso, e termino. O Hotel Danúbio. Tava tão bom. Ia ser sensual, tragédia. Amo tragédia. A dor deve ser enfrentada pelos seus mais nefandos caminhos. Vou tentar encontrar as rachaduras, as dobras deste mundo. Pode ser que não encontre, mas impressões hão de ficar, e aqui: &lt;a href="http://minhaodisseia.blogspot.com"&gt;Diário de Viagem&lt;/a&gt; é onde lhes vou deflagrar. Pode não ser no dia, pode ser à noite. Algo aí terei de botar. Ainda é uma sessão nostalgia, mas quando aparecer uma foto carimbada, já estará sendo. A revolta do dividendo, a fusão do limoeiro com o nem-fodendo. Ela me disse pra seguir em paz, e vou seguir seu conselho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111838602140135043?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111838602140135043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111838602140135043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111838602140135043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111838602140135043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/06/isso-fica-sem-final.html' title='Isso fica sem final.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111829111531243289</id><published>2005-06-09T00:22:00.000-04:00</published><updated>2005-06-09T00:25:15.316-04:00</updated><title type='text'>Hotel Danúbio (Parte 2).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui dormir às três da manhã, com surtos de preocupação para com meu trabalho. Acordei. Ao sair do quarto, dei de cara com a esdrúxula arrumando a mesa do café no refeitório sujo e com algumas moscas. Não sei qual (quem) me causou mais nojo: a carrancuda, ou o pão velho com manteiga semi-azeda que ela dispunha na mesa, junto com um leite altamente amarelecido de nata de gordura e demais nojeiras inerentes ao leite de curral. Foi foda. Preferi o jejum. Fome do cão. Na agência tinha umas roscas e café. Sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia voou, junto com os papéis que ia atirando ao lixo. Os colegas pararam de me agradar. O guarda quis ser simpático e perguntou em qual bairro morava na capital. Respondia secamente. Ele insistia achando que aquilo era bom pra abater o tédio. Mas atrapalhava. Uma hora pedi com todas as forças das minhas entranhas mais viscerais, e paciência, que ficasse calado pois precisava me concentrar. O gerente não falava nada. Quando tinha tempo, me observava com os olhos baixos. Desde quando chegara, só havia me tratado com reverências de costume. Um gordinho careca, baixinho, cara e jeito de embusteiro que se julga gatuno. Estava louco para ferrar o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite Cibele estava na recepção. Quando cheguei, à noitinha. Disse que tomaria um banho e logo viria falar com ela. Olhou-me com estranheza. Caipira, pensei, hoje dobro essa. Alguém me delatara para o velho Gregório, e essa era a causa da estranheza. Cibele pediu-me que ficasse no quarto, pois não queria se “lascar com o pai”. Velho intrujão. Só podia mesmo estar comendo a filha. Falei para Cibele que era impossível ficar no quarto. Não tinha o que fazer. Que droga. Estava só no segundo dia de trabalho e não podia nem engabelar a menina da recepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, durante o café, reforcei o estômago e fiz o desjejum junto com a mademoiselle. Perguntei-lhe “por quê Hotel Danúbio”. Disse que conhecera o rio em uma excursão à Europa e se encantara. Quando jovem, costumava viajar pelo mundo. Conhecia a Índia, China, Japão, Europa, Peru, México. “Uma bagagem e tanto”, disse-lhe. “E por que a senhora toca este hotelzinho merreca hoje?”, depois da pergunta fiquei apavorado com o descuido. A velha olhou-me com reprovação, mas respondeu. “Meu marido era diplomata, por isso viajávamos bastante. Cansou-se do ofício e quis vir para o interior. Compramos este hotel quando tinha apenas dois anos de construção e Cracajá estava na iminência de se tornar município. As coisas eram boas naqueles tempos, e pareciam que só iam melhorar. Não sei se você sabe, mas havia uma estância termal aqui. Só que a indústria de álcool, que chegou há vinte e oito anos, poluiu as águas, espantou os turistas, o progresso, e ninguém fez algo. A usina durou dez anos, mantendo alguma prosperidade para a cidade. Os governantes ficaram todos muito ricos, então o interesse maior era na usina, em vez do turismo. Houve administrações fraudulentas, e ela faliu. Os endinheirados sumiram. Os fraudulentos, muito antes da bancarrota. E o povo aqui ficou. Eu e meu marido que tínhamos apostado no hotelzinho, tínhamos feito planos de ampliação, entramos pelo cano. Depois de sete anos pachorrentos, meu marido suicidou-se. Eu já tentei quatro vezes, depois disso. Mas nunca consegui. Um Judas sempre me salva. Acho que carregar essa lata de lixo é meu carma. Não há outra espelunca que hospeda gente na cidade. Portanto, deus deve ter me incumbido a esta missão”. Fiquei pasmado ouvindo a sarnenta contar-me sua história. Louca. Atrasei-me e fui levemente bronqueado pelos funcionários da agência. Haveria de terminar logo aquilo antes que enlouquecesse com as estórias fantásticas daquele povo doido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111829111531243289?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111829111531243289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111829111531243289&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111829111531243289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111829111531243289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/06/hotel-danbio-parte-2.html' title='Hotel Danúbio (Parte 2).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111826308413096165</id><published>2005-06-08T16:32:00.000-04:00</published><updated>2005-06-08T16:38:04.136-04:00</updated><title type='text'>Hotel Danúbio (Parte 1).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O telefone tocou às oito da manhã de um domingo normal. Alcebíades queria que fosse até Cracajá fazer uma auditoria na pequena e única agência bancária da cidade. Trabalhava em uma empresa de consultoria, e estavam descobrindo indícios de irregularidade por parte do gerente. O banco contratou-nos e pediu o melhor auditor. Alcebíades, meu chefe, jurou que eu estaria lá na segunda-feira logo pela manhã. “Foda hem, Alcebíades, você nem me perguntou antes se podia ir!” “Quebra essa, Rubens, precisamos de você, os outros não podem. Vou te dar uma diária dobrada”. “Tudo bem, fechado”. Tinha acabado de ter pesadelos horríveis com minhas dívidas, e quando ele falou em dinheiro dobrado, só pude aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parti desajeitado no trem das cinco da manhã para Cracajá. Às sete e cinqüenta estava na estação. Frederico, um jovem funcionário, foi me buscar. Conjeturei que ele poderia ser o substituto do gerente, caso as sacanagens fossem comprovadas. “Prefere ir ao hotel primeiro, ou já quer começar a trabalhar?” “Ah não, estou muito cansado da viagem, preciso de um banho e de uma soneca na cama”. “Tudo bem, o hotelzinho daqui não é lá essas coisas, mas pra quem vai ficar só uma semana, dá pra tirar de letra”. Puta merda, uma semana!, pensei. O rapaz deve ter me julgado um indecente. Chegando sete e cinqüenta e ainda querendo tirar soneca antes do batente, que pra todos eles começava às oito. Principalmente por causa dos serviços internos. Problema fosse dele. Frederico deixou-me no hotel e apontou a agência, dizendo: “Estaremos aguardando o início dos trabalhos, tente chegar antes das dez”. “Está certo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade era esquisitíssima, gente feia circulando. Bizarro. O hotel tinha uma velha macambúzia na recepção. Perguntou-me se era o rapaz da cidade que viera para trabalhar no banco, respondi que sim, entregou-me uma chave dizendo que era só pegar o corredor ao fundo e seguir até a última porta. Quarto 08. A pintura era velha, o corredor escuro, úmido, com as paredes grossas feitas de areia que se soltavam, fazendo com que meus sapatos escorregassem ao caminhar. O chão era de piso vermelhão, talvez antigamente fosse homogêneo, certamente o tempo o havia infligido as rachaduras gigantescas; recordei minha infância. Férias de verão sempre passava na casa da avó Gumercinda, e o chão da casa dela também era de vermelhão estilhaçado. Eu brincava de me equilibrar por sobre as finas rachas, como se o mundo fosse se partir em dois caso eu pisasse em falso. Ao percorrer o corredor até meu quarto, não desalinhei e segui meus princípios pueris de manter o mundo unido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto tinha cortinas que pareciam sacos de poeira. Ao abri-las, senti que minha rinite ainda estava viva. Eram janelas com bolinhas ofuscantes.e refratárias à luz. Não precisava daquelas cortinas polvorosas. Banheiro amplo com uma banheira linda, torneiras e contornos dourados, mas imunda. Um espelho sobre a pia que podia enxergar até meu umbigo. Alguém bate à porta, é a velha. “Tome cuidado com o chuveiro, ele está na posição desligado porque está quebrado, se tentar liga-lo para aquecer poderá ter algum problema”. “Aqui é muito quente e os hóspedes costumam não precisar de água quente”. “Tudo bem”. Eu odiava água fria para banho, mas queria tanto que a velha me deixasse que não hesitei em concordar. Desisti do banho, tomaria somente quando fosse necessário. Deitei por dez minutos. Nenhum pensamento me veio, então levantei e fui para o banco desempenhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era muito trabalho. Uma enorme quantidade de papéis. Tinha que analisar, listar, sublinhar, investigar, comparar e ainda escrever relatórios. Era serviço para sempre. Todas as vezes que me metia em um trabalho pesado desses, de empresa irregular, pensava que nunca daria conta. Já havia dezesseis anos que trabalhava nisso. Comecei com calma. Os funcionários foram cordiais comigo e me serviam café, chá, ajudavam com boa-vontade a encontrar e buscar os documentos que precisava. O primeiro dia foi assim, uma droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite a velha sorumbática não estava, e em seu lugar havia uma mocinha, de uns dezessete anos talvez. Não sei precisar idade de moçoilas, só sei se posso, ou não, olha-las com olhos verdugos. Lépida. Fiquei tão feliz ao vê-la no lugar da morfética, que nem questionei a ausência dela, e ainda me atrevi a alguns balbucios. Elogiei a pele. Mulheres gostam de elogios à pele, imagino. Ficou sem graça. Depois me perguntou se era o rapaz novo do banco. Respondi que apenas trabalharia algum tempo, não era funcionário do banco, e sim um contratado para analisar o banco. Quis criar assunto. Faze-la indagar. Conversamos por mais de quarenta minutos, ninguém entrou ou saiu. Fui para o quarto tomar banho, e pedi a ela que me indicasse algum lugar onde pudesse comer. Qualquer coisa, uma pizza, um lanche. Essas coisas sempre têm em currutelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me secava do banho, Cibele bateu à porta. Assenti. Trouxe-me um lanche de hambúrguer, queijo, ovo e tomate que fedia. Agradeci e, após ela fechar a porta, joguei o lanche fora. Tinha uns salgadinhos na mochila. Faria deles um jantar muito mais feliz. Comi com o silêncio. Estava muito habituado em fazer minhas refeições diante da TV ligada, foi terrível sentir falta dela. Depois fiquei um longo tempo olhando a parede. Olhei no relógio e só havia se passado trinta minutos desde que Cibele fechara a porta. O tempo em vilarejos morre. É sufocante. Voltei à recepção. Ficamos sem assunto, eu e Cibele. E o hotel fedia. Cibele era bonitinha. Pra puxar qualquer assunto novamente perguntei sobre a velhinha que me recebera. Chamava-se Dona Clarice. Era dona do hotel já havia quarenta anos. A cidade tinha trinta e cinco. Mas Dona Clarice estava ali desde quando ainda era distrito. Dissimulei um sujeito impressionado do modo mais grosseiro que já vira. Notei que faltava um dos caninos em Cibele. Que sorria comedidamente, sempre. Detesto gente esboçar satisfação com cautela. Como se estivesse com medo. Vergonha. Isso é típico de gente simples do interior. Gente humilde. Respeito-os como acho devido. Mas detesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era criança sonhava em ir para a cidade da avó Gumercinda. Que morava em um lugar que era praticamente uma chácara dentro de uma cidadezinha. Meus planos eram de cultivar horta para a população: alface, tomate, rúcula, chuchu, agrião, cheiros verde. Ia ficar rico. Pois vó Gumercinda sempre reclamava que faltavam hortas na vila. Legumes, verduras e folhas só vinham uma vez por semana trazidos por um caminhão da cidade vizinha, que ficava a uns cinqüenta quilômetros de distância. Acabei auditor de empresas e bancos. Profissão de gente doente. Ou que faz as pessoas ficarem doentes. Eu sou doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cibele pronunciava as palavras com uma doce cacofonia que me fazia acotovelar o queixo e sentir simpatia. Foi se soltando. Fiquei feliz em faze-la à vontade. Dona Clarice cuidava do Hotel Danúbio durante a manhã e a tarde, Cibele tomava conta durante a noite e a madrugada. Contou-me que seu pai era alemão e sua mãe mulata. Seu pai, o teutônico Gregório, viera para Curitiba com toda a família, mulher e dois filhos. Era diretor de uma ONG internacional que trabalhava com saúde em países pobres. E viera para presidir a filial brasileira. Conheceu Rita em sua nova casa, fora contratada para ser secretária doméstica. Envolveram-se e fugiram para Cracajás. Dessa lambança toda nascera Cibele. Gregório nunca mais viu a antiga família. Dizia cansado daquela vida. Com a mulata Rita tudo era melhor. Cibele contava com ingenuidade. Tinha pena dela por ter um pai tão sacana. Não duvidaria se ele já a tivesse tentado. Era bonita a maldita da Cibele. Mesmo com seu canino superior esquerdo faltante. E além de não ter o dente, a pobre da Cibele ainda tinha que pagar pela cagada de seus pais. Vivia metida naquela cidade, nunca saíra para além da cidade vizinha, tinha que trabalhar porque o velho Gregório era pilantra. Estava ilegal no país com permanência vencida há tanto tempo que não cabia renovar. A mãe já estava velha. Estudara a vida toda em uma escolinha sem recursos. Fui dormir pensando que ela merecia ter uma vida mais decente. Inclusive ter o dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Continua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111826308413096165?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111826308413096165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111826308413096165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111826308413096165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111826308413096165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/06/hotel-danbio-parte-1.html' title='Hotel Danúbio (Parte 1).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111786214250468044</id><published>2005-06-04T01:12:00.000-04:00</published><updated>2005-06-04T01:15:42.510-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (Final).</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Redenção ou perdição.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após o ocorrido, fugi de volta para a cidade azul, teria que procurar Angelique e conversar com ela; somente ela constituiria razão suficiente para que eu me redimisse, talvez até encarasse a justiça, pagasse o que devia a ela, e seguisse minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contei-lhe tudo. Ela me repudiou. Cedi ao pranto desesperado de um miserável. Nada adiantou. Angelique consternada ligou para a polícia e me delatou. O corpo de Consuelo já havia sido encontrado e o fato já era noticiado nos plantões televisivos da cidade azul. Tudo me era aflitivo, Angelique me repudiando, me negando sua tão necessitada e ansiada ajuda. Eu pedia com amor sincero, afeto, mas ela não aceitava, nada mais que proviesse de mim lhe valia. Eu era injuriado mais pela aversão de Angelique do que pela situação calamitosa e criminal na qual havia me envolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angelique se trancou no lavabo do seu apartamento para esperar a chegada da polícia, temia minha perigosa presença. Fiquei ali, esticado pusilânime no chão da sala, pensando em tudo aquilo e em toda a deturpação que meus desejos sofreram diante das minhas tentativas de realizá-los; minhas tentativas insensatas, equivocadas, desonestas, impudicas e verdadeiramente desprezíveis. Não havia mais saída. Escutei da sala do apartamento de Angelique, no alto décimo segundo andar, as sirenes. Eles já estavam ali pra me pegar, e eu tinha que resolver algo, depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei num redemoinho vertiginoso de sensações esquisitas; já não pensava em Consuelo, já não pensava em justiça, já não havia mais Angelique; os fatos se emaranhavam alucinados e frenéticos em minha mente; sentia náuseas ao rememorá-los em lampejos velozes e inverossímeis para minha cognição. Estava deveras perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acessei a sacada bem-decorada de Angelique, olhei com uma tontura dolorida de nostalgia para baixo. Sabia que aquele ato, ou o não-ato, colocaria um fim definitivo a tudo, tudo da vida; sendo por morte ou por prisão, findaria, e isso já sintetizava motivação suficiente para lacrimar saudade e pesar, assegurando-me do que fazia. Pulei com sinceridade, queria realmente morrer. Era minha melhor saída, a mais digna redenção, a mais orgulhosa, pelo menos na morte seria um sujeito brioso, de garbo invejado. Um Getúlio acossado. Não poderia, após tudo o que vivera, ser pego por aqueles sujeitinhos ordinários da lei; não podia ser penitenciado por ter excluído mortalmente da sociedade uma garota escrota como Consuelo. Eu tinha honra e dignidade; pequei, mas pequei ensandecido pelo amor incôngruo, obsessivo e falido por Angelique, e também pela aversão absurda que sentia por Consuelo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após o salto, se aniquilaram as mágoas, os sofrimentos, as incertezas, as inconstâncias, as irregularidades e vilosidades da carne efêmera e sacana. Todo esse turbilhão de elementos se esbugalhou junto com minhas tripas na entrada do prédio de Angelique, onde muitas glórias e uma inglória ocorreram, e talvez, onde tudo isso começara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111786214250468044?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111786214250468044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111786214250468044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111786214250468044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111786214250468044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/06/decadncia-de-augusto-final.html' title='A decadência de Augusto (Final).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111760625655536795</id><published>2005-06-01T02:06:00.000-04:00</published><updated>2005-06-01T02:10:56.560-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (Parte 7).</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ação e conseqüência, o desastre premeditado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consuelo me fechou o cerco. Passou a mandar homens me vigiarem, contrapunha enviando flores, telefonando com palavras doces e sutis. Reneguei-a de todo modo, fugia dela. Não conseguia, minha vida estava invadida, parecia não haver saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de toda a problemática, resolvi marcar uma conversa com Consuelo. Dissimulei um desejo de retomar nossa relação, ela aceitou prazenteira. Disse que gostaria de passar o fim de semana com ela no campo, que durante toda a semana eu estaria demasiado ocupado, que não poderia vê-la, que entendesse e me buscasse em casa sexta-feira às vinte horas para que fôssemos à sua casa no campo. Concordou, não sabia de nada que poderia acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semana passou ligeira, Consuelo me ligava todos os dias, com facilidade me livrava prometendo mil maravilhas em nossa ‘lua-de-mel’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Consuelo me buscou, tudo já estava astuciosamente arquitetado em minha mente. A viagem se passou tranqüila, e, ao chegarmos em sua casa de campo, Consuelo despiu-se completamente partindo obstinada para cima de mim. Sua sede de sexo havia crescido monstruosamente. Assustei-me com sua ninfomania perniciosa, logo percebi que não suportaria aquela noitada exacerbada. Então fugi acossado de Consuelo, que – certamente - achou que eu estaria apenas pregando uma simples peça de suas fantasias sexuais. Ela me seguiu, corri por toda a casa, Consuelo havia trancado todas as portas e janelas e estávamos presos. Meus planos já não seriam como havia planejado, pois toda essa situação me causava nojo, desgosto e aversão inauditos por Consuelo, que me exasperava cada vez mais, com sua perseguição vil. Segui com destreza para a cozinha, abri a gaveta de facas, esperei que se aproximasse, saquei a arma no exato momento em que ela me abraçou. A ponta afiada penetrou com destreza a carne daquela mulher repugnante. Seu sangue rubro e fétido escorreu pelo corpo ainda aquecido de desejo exagerado de luxúria. Empalideci, busquei justificativas, me absolvi afirmando que ela causara aquilo, ela causara tudo aquilo, com sua lascívia viscosa, agora gotejante. Ela não aceitara nosso rompimento e tudo teria sido pior para mim se eu apenas fugisse. Temia que algum dia, talvez, ela viesse a me matar. Meu plano não se sucedeu como imaginara e eu fiquei a conjeturar justificativas quase em desespero. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111760625655536795?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111760625655536795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111760625655536795&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111760625655536795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111760625655536795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/06/decadncia-de-augusto-parte-7.html' title='A decadência de Augusto (Parte 7).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111740282696878969</id><published>2005-05-29T17:29:00.000-04:00</published><updated>2005-05-29T17:40:26.980-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (Parte 6).</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Decisão.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consuelo não era garota para descartar, principalmente levando em consideração o descarte que eu havia cometido com Angelique. Não me permitia mais cometer o mesmo equívoco. Tinha a sensação de que precisava mantê-la perto de mim a qualquer custo, pois a qualquer dia, ou ocasião, poderia querê-la novamente. Ouso comparar isso que sentia por Consuelo com o mesmo que qualquer humano comum sente quando resolve fazer uma faxina em sua casa, encontra diversos objetos antigos, que há muito foram estimados, que agora já não servem para mais nada, mas que tem pena de descartar, porque, afinal de contas, é um artefato ‘bonitinho’ ou interessante, ou talvez ‘ainda servirá para algo no futuro’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias se passaram assim, e eu protelava o rompimento com Consuelo, o que inexoravelmente se tornava cada vez mais iminente.&lt;br /&gt;Meu repúdio por Consuelo crescia ao passo da sua ninfomania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consuelo, em várias ocasiões, me incomodava profundamente com conversas sobre casamento, nomes para filhos, cores para casa, ou se moraríamos em apartamento. Esses assuntos todos me deprimiam e faziam com que a odiasse cada vez mais. Noutros tempo, eu havia conversado sobre coisas similares com Angelique, e sentia nojo me imaginando casado com a devassa da Consuelo. Queria mesmo era uma garota doce, meiga, graciosa, prestativa e afável, como Angelique; não uma mulher ostensiva, demasiado libidinosa, repulsiva, sórdida e estúpida como Consuelo. De fato, a odiava cada dia mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive que resolver algo. Estávamos transando no motel mais caro da cidade azul, Eu e Consuelo. Esforçava-me para fazê-la gozar logo, aquilo ficava cada vez mais deprimente, resolvi tomar uma atitude definitiva e esqueci, de vez, as conseqüências. Ao encerrarmos o torpe coito, fingi dormir, para ofender Consuelo. Que me provocou tentando me reavivar com danças obscenas, às quais prefiro não discorrer. Levantei de súbito e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-         Acho que não quero mais. Não sei o que há, sinto que nosso tempo já se esvaíu.&lt;br /&gt;-         O que? Como assim? – exclamou perplexa, Consuelo.&lt;br /&gt;-         É isso mesmo, Consuelo. Não quero mais, está difícil para continuar, minha vida é uma droga, e eu não quero dividir a droga da minha vida com você. É isso.&lt;br /&gt;-         Mas você... você me prometeu... apostei toda a minha vida em você, você não pode fazer isso comigo, seu canalha, desgraçado, maldito! – Retorquiu, chorosa e desesperada, Consuelo.&lt;br /&gt;-         Eu sei que prometi, mas me arrependi, não quero mais, esqueça tudo que disse durante toda a nossa relação e continue sua vida normalmente, como se nunca tivesse me conhecido. E pára com essa falsidade de ‘apostei toda a minha vida em você’. – Desabafei sereno, lúcido, acometido de  certa sisudez.&lt;br /&gt;-         Não aceito, já estamos selados, você é meu, e não aceito perder assim fácil!&lt;br /&gt;-         Que se dane, Consuelo. Sinto muito, estou de partida, e não adianta me esperar após MEU trabalho em MINHA casa pra me encher mais o SACO, porque eu vou trocar a fechadura. Fique bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Terminei por exprimir as últimas palavras me libertando de parte do nojo que estava sentindo de Consuelo, com afetada exaltação - dificilmente me exaltava. A parte restante do meu enfado, eu libertaria mais tarde, em algum botequim da cidade azul. Meu sentimento por Consuelo era um misto de arrependimento por ter abandonado Angelique, desilusão com a vida, decepção absoluta com a personalidade dela, frustração profissional e mais algumas drogas que molestavam minha pífia existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo do motel, a pé e sozinho, me sentia livre como jamais havia sentido, meus pensamentos se convergiam para Angelique e para tudo que havia feito a ela. Recordava minuciosamente a ocasião em que rompera, sofria muito. Tudo que eu mais queria naquele momento era chegar logo em casa, ouvir a voz insistente e dissolvente do cantor chinfrim entoando: “Como vai você, preciso saber da sua vida”; “Vem, que a sede de te amar me faz melhor, eu quero amanhecer ao teu redor, preciso tanto lhe fazer feliz”, e dormir um pouco. O cantor era desusado mas me seria bom naquele momento. Estranho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do motel até meu apartamentinho seria uma viagem longa, uns cinqüenta minutos aproximadamente, e eu ainda teria que pegar duas conduções coletivas, como meu dinheiro era escasso, não podia pagar um táxi. Chorei como uma criança durante toda a viagem, no interior das duas conduções, deixando os demais passageiros perturbados. Uns tentavam me consolar, outros indagavam o motivo daquele meu desvario desmedido, outros se faziam indiferentes, outros mandavam-me silenciar. Eu só queria que todos me tratassem indiferentes. Durante toda minha vida fui tratado com indiferença, fui um apagado, um fosco; nunca fui capaz de despertar qualquer sentimento nobre em mais de duas pessoas, jamais fui capaz de atingir público algum, mesmo sempre intentando ser um escritor de repercussão, agora vinha causar compaixão em suburbanos comuns, felizes e imersos em sua simplicidade e pobreza duradouros, em sua carência de informação e educação. Não, eu não merecia a compaixão daqueles seres inertes diante dos movimentos do mundo, eles eram apenas corpos que se amontoavam em uma condução coletiva que os levaria até algum bairro miserável da cidade azul. Algum bairro que não devia ficar há apenas sete quilômetros do centro, mas há talvez doze ou vinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111740282696878969?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111740282696878969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111740282696878969&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111740282696878969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111740282696878969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/decadncia-de-augusto-parte-6.html' title='A decadência de Augusto (Parte 6).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111725575197709485</id><published>2005-05-28T00:45:00.000-04:00</published><updated>2005-05-28T00:49:11.986-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (parte 5).</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Invasão.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consuelo invadiu de vez minha vida, passou a freqüentar meu apartamentinho diariamente, tirou cópias das minhas chaves, descobriu que eu era um literato frustrado, evitava tocar neste assunto temendo me aborrecer, e deveras me aborreceria. Entretanto, tudo que ela descobriu em mim, passou a ser mais motivos para me amar, devia estar louca a garota. Aí então comecei a me surpreender e a me sentir enojado com a sua capacidade escrota e doentia de me querer. Por que tanto assim? Como tanto assim? Consuelo não podia mais estar certa; ela se tornara ninfomaníaca e me exigia cada vez mais sexo. Meus levianos dias, quando apenas trabalhava e ficava em casa tentando produzir algo, se tornaram dias de selvageria, definitivamente. A fraqueza pessoal de Consuelo, o sexo: seu vício, e eu estava alimentando-a, mesmo que forçado. Fiquei abatido, tive que reforçar drasticamente minha alimentação, e aos poucos fui subvertendo minha tentativa de amá-la em: ódio, desgosto, decepção, repúdio e até nojo, por esta droga de pessoa que se tornara, para mim, Consuelo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parecia que ela não era capaz de notar que eu somente a usava para curar minha carência afetiva, afundar minhas lágrimas de Angelique, queixar-me da vida, e trepar, apesar de que trepar já não estava mais me atraindo tanto, nesse período final.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111725575197709485?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111725575197709485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111725575197709485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111725575197709485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111725575197709485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/decadncia-de-augusto-parte-5.html' title='A decadência de Augusto (parte 5).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111717493017445290</id><published>2005-05-27T02:21:00.000-04:00</published><updated>2005-05-27T02:22:10.176-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (Parte 4).</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Derrota.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltei para casa aos prantos; havia falhado, ela não mais me queria, foi quando, então, minha vida definitivamente declinou diretamente ao limbo. Passei a dar, novamente, festinhas luxuriosas, Consuelo tornou-se colo certo para minhas lágrimas, as quais eram vistas de modo subvertido por ela. Eu estava me tornando cada vez mais um ser espantoso, desprezível. Passei a me drogar com freqüência nessas festinhas de sexo e drogas à vontade. Ao mesmo tempo, dissimulava amor e prometia glórias áureas para Consuelo, que estava cada vez mais envolvida, arrebatada e apaixonada por minha pseudo-erudição, meu pedantismo, e minha personalidade falha e questionável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111717493017445290?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111717493017445290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111717493017445290&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111717493017445290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111717493017445290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/decadncia-de-augusto-parte-4.html' title='A decadência de Augusto (Parte 4).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111709402624084226</id><published>2005-05-26T03:50:00.000-04:00</published><updated>2005-05-26T03:56:20.166-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (Parte 3).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tentativa.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após a noite fracassada, recebi a complacência de Consuelo jurando ter adorado a noite, apesar dos pesares implícitos, disse que me procuraria logo para sairmos mais vezes. Não relutei, estava absolutamente carente, ela seria um alguém, na falta da minha doce Angelique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noitada fora em uma sexta, sábado acordei resignado, falaria novamente com Angelique e lhe contaria tudo o que se passava em mim. Telefonei em seu celular e não funcionou, ela provavelmente já teria mudado de número, pois tinha sido um presente meu, o antigo celular. Tentei em sua casa, ela mesma atendeu com sua voz de morango. A princípio, ensaiou me destratar, insisti e ela cedeu. Estava parecendo que seria fácil, pois consegui neste dia marcar com ela um encontro no parque do Monte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentados em um dos bancos do parque, com pessoas praticando caminhada ao nosso derredor, expus a ela tudo que pude. Angelique, no começo, foi cruel retrucando infâmias, estava revoltada; após desabar e sentir-se aliviada, condescendeu e passou a ouvir-me compassivamente, deve ter notado meu estado latente de sofrimento. Foi uma grande merda, não queria a bosta da sua compaixão. Então passou a me acusar de ser o causador de tudo, “não há volta”, estava ferida de verdade. Concordei, pedi clemência, não aceitou e encerrou dizendo que havia me arrependido tarde demais. Não voltaria. A partir de então decidi fazer a reviravolta, mudar qualquer coisa, só ainda não sabia como e talvez havia alguma solução.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111709402624084226?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111709402624084226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111709402624084226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111709402624084226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111709402624084226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/decadncia-de-augusto-parte-3.html' title='A decadência de Augusto (Parte 3).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111699527244956072</id><published>2005-05-25T00:20:00.000-04:00</published><updated>2005-05-26T03:57:58.390-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (parte 2).</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Consuelo; pós-preâmbulo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi num dia que fui assistir um filme nacional, sozinho como de costume, casualmente; sentei-me ao lado de uma garota um tanto libidinosa, que chamou-me a atenção. Ao final do filme, puxei conversa sobre o assunto, iniciamos um diálogo eloqüente; empolguei-me, e confesso que menti que era um escritor. Ela me admirou, disse que eu era adorável e que gostaria de me conhecer mais. Por força de impulso furtei-lhe um beijo, tudo estava indo bem e fácil demais, se não fossem os pormenores mentirosos e omissos que eu havia lhe dito e não-dito. Consuelo me levou, então, a um bar discreto da cidade azul, bebemos e conversamos sobre coisas diversas. Ela me atraía com certa perfídia na atmosfera, como se os deuses da razão quisessem me prevenir de algo, pude sentir, porém estava certo de que nada podia fazer. Fui seduzido, não seria grande coisa, mas de algum modo sublevaria meu cotidiano enfadonho. Ela se dizia modelo e filha de fazendeiro rico, eu me impressionei, claro, afinal de contas, naquela conjuntura, era muito satisfatório relacionar-se com pessoas abastadas. Tinha vergonha da minha vida fracassada e não gostaria de levá-la para transar em minha abjeta morada; ela, tendo substancial dinheiro, poderia pagar-nos noitadas em motéis de luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após boas doses de chope, já certamente embalada pela embriaguez, Consuelo me convidou para um desvario noturno, aceitei no ato. Além de excitadíssimo, eu já estava abstido há demasiado longos oito meses, desde quando rompera com Angelique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transamos apenas uma vez, fui péssimo, não consegui esquecer em momento algum a imagem de Angelique comigo, nossas carícias, nossos melindres românticos, nossas idiossincrasias altivas e demasiado singulares de um ao outro. Eu amava Angelique, e todos os dias, antes de deitar-me, chorava; chorava por ter expulsado meu mais doce, e último, sustentáculo de ternura. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111699527244956072?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111699527244956072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111699527244956072&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111699527244956072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111699527244956072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/decadncia-de-augusto-parte-2.html' title='A decadência de Augusto (parte 2).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111682075182006948</id><published>2005-05-22T23:54:00.000-04:00</published><updated>2005-05-23T00:19:01.123-04:00</updated><title type='text'>A decadência de Augusto (Parte 1).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje vou começar a postar um conto já um pouco antigo, mas que reli esses dias e gostei de novo. Vou por partes, porque não é longo e também não é curto. É a estória do Augusto e de como ele chegou ao fim para salvar seu prepúcio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Preâmbulo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Eu tinha uma vida solícita. Era redator de obituários de um grande jornal da cidade azul, trabalhava diariamente, não temia vicissitude alguma, a coragem estóica de cidadão urbano me anelava. Não tinha problemas graves, exceto um: escombros de um amor mal-resolvido, que me infligiam com aguda e inclemente dor. Eu estava prestes a mudar minha vida, queria fazer algo, mudar isso tudo, resolver as coisas. Já havia pensado em suicídio, mas não seria justo para comigo. E eu bem sei que esse romance fora destroçado por meu egocentrismo, minha relutância, meu orgulho chafurdado em drogas emocionais e loucuras ocupacionais. Fugi dela para ter liberdade, o que me sobrepujou da maneira extremada; obtive-a, porém não soube fazer dessa liberdade algo benevolente. A garota ainda fustigava com ponta dura meu pobre peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu morava em um apartamentinho distante sete quilômetros do centro da cidade azul. Tinha de pegar condução coletiva todos os dias para seguir ao trabalho. Minha vida era anônima, corajosamente leviana; passava os dias indo de casa para a redação, da redação para casa, era apenas um redator de obituários, oras. Almejava loucamente ser um romancista, escritor, cronista, ou qualquer diabos literário. Mas não conseguia, já havia perdido toda a minha juventude e parte da minha adultidade com tentativas frustradas de fazer literatura. Tinha muita coisa pronta, mas era duramente rejeitado pelos editores, leitores e amigos. Até meu blogue na internet era um fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estórias esdrúxulas, reais ou fictícias, facilmente me chamavam a atenção, até comoviam por vezes, como a estória de Pedrita, um vizinho que resolvera transfigurar seu sexo. Quando me mudei para aquele prédio obscuro de pessoas excêntricas, este vizinho se chamava Pedro, alguns meses após, ele se reapresentou, para mim, como Pedrita. Não fiquei surpreso, pois Pedro, pelo que notara de início, sempre tivera uma certa disposição para conversão sexual. Ele era inócuo e apagado, assim como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ter perdido minha bela Angelique e ter percebido a amplitude do meu prejuízo, toda a minha vida se inclinou objetivamente para baixo. Não tinha mais ambição, os delírios noturnos não mais me deslumbravam, como dantes. A garota confusa dos cabelos esverdeados falava cada vez mais besteiras, meus amigos se tornavam cada vez mais chinfrins. Estava bebendo como um louco, minha geladeira não ficava isenta de cerveja um dia sequer. A liberdade que eu havia exigido expulsando Angelique da minha vida agora me abocanhava com suas mandíbulas pontiagudas, e arrancava de mim toda a decência humana. Estava me tornando, cada vez mais, um sujeito escroto, nefasto e mórbido, como meus vizinhos do predinho estranho". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111682075182006948?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111682075182006948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111682075182006948&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111682075182006948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111682075182006948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/decadncia-de-augusto-parte-1.html' title='A decadência de Augusto (Parte 1).'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111609624572237954</id><published>2005-05-14T14:42:00.000-04:00</published><updated>2005-05-14T14:51:57.376-04:00</updated><title type='text'>Queixas do Seu Venério.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saliência, bate na cara e não explode. Inquiro: quem foi que fez isso aqui?! Ninguém responde, é só mais uma lástima lamurienta das quais já estou acostumado, mas não vencido. Decido e recomeço, passo adiante, num passo trôpego e necessário, caio novamente; mas que diabos este pedaço de pau faz por aqui!? Ninguém responde, ninguém ousa, são todos covardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divergência, as vedetes sabem o que fazer em casos como este; é só mandar me chamar que resolvo, se não estiver, tem o João polvo, sabe até mais do que eu, tem mais braço também. Soube da Benedita, que má sorte a dela, encontrou logo um furacão endoidecido, daqueles, mandou me chamar, não estava, gritou pro João polvo, foi mas o furacão emborcou ele também, e depois o esmagou como se fosse ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Januária minha filha, traz aqui pra mim um caqui chocolate desses aí. Januária diz que acabou, pois compra mais então, oras. Vê se pode, faltar caqui chocolate aqui em minha casa. Janto, como bastante, mas só frutas. Tem laranja, banana, mamão, caqui chocolate e abacate. De vez em quando misturo tomate, rúcula e agrião, só pra dar um sabor, sabe como que é. Nessas idades altas da vida a gente tem de se cuidar, senão quem é que faz? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Médico. Esses dias fui ao médico, doutor Vidigal, fui logo contando pra ele que o peito inchava, às vezes doía, às vezes parecia que até nem sentia, daí vinha um calorão, uma dormência, coisa estranha. Hum!, doutor Vidigal nem olhou na minha cara, perguntou meu nome só pra bota lá na receita e no final quando foi se despedir ainda falou errado, me chamou de Seu Venâncio, que raiva daquele homem, meu nome é Venério, Seu Venério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois viu, eu é que tenho que me cuidar, senão to lascado, médico nenhum é que vai fazer. Vishi, já tá me dando revertério, acho que esse negócio de come fruta demais é bom não, preciso ir ao banheiro. Eita, que venha a revolução! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111609624572237954?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111609624572237954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111609624572237954&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111609624572237954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111609624572237954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/queixas-do-seu-venrio.html' title='Queixas do Seu Venério.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111595769070698699</id><published>2005-05-13T00:12:00.000-04:00</published><updated>2005-05-13T00:14:50.710-04:00</updated><title type='text'>Parte 15.</title><content type='html'>*Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em casa, liguei para minha mãe para avisa-la. Logo percebi que tudo aquilo não fazia mais sentido, comecei a organizar minhas malas, queria ir embora mas não sabia para onde ir. A campainha tocou, era Andressa, pedi-lhe que não entrasse e que me deixasse em paz, estava em crise de consciência, os anos de cadeia não haviam sido suficientes pra sanar este tipo de problema. Andressa chorava, pedia por favor, eu disse que não e fechei-lhe a porta, disse-lhe também que caso precisasse dela, não hesitaria em telefonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha algum dinheiro guardado na conta da minha mãe, outro tanto escondido em meu apartamento, e outro tanto guardado com Sodoma. Primeiro fui ter com minha mãe, fomos ao banco, expliquei-lhe tudo e pegamos todo o meu dinheiro. Depois fui ao Sodoma, este não deixou de me saudar cordialmente, tinha-me em grande estima. Deu-me o dinheiro, convidou-me para passar a noite em suas dependências, pois daria uma festa em meu louvor. Recusei, agradeci muito, então me ofereceu uma boa quantia e disse-me para fazer minha vida como bem entendesse. Agradeci-lhe novamente. Sodoma estava sendo meu pai, o pai que nunca existira para mim.&lt;br /&gt; Em casa, terminei de juntar minhas coisas, tranquei tudo, pedi para que minha mãe cuidasse enquanto me ausentava e disse-lhe que não sabia quando voltava. Ela chorou e pediu-me juízo. Fui direto ao aeroporto internacional da cidade, com todo o dinheiro, para comprar passagem no primeiro vôo a qualquer país exótico que tivesse. No caminho pensei no México, Tailândia, Panamá, Sri Lanka, sei lá, no aeroporto eu pegaria o primeiro que me apetecesse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*Espero que leiam desde o começo: 'O Escultor de documentos (Parte 1)'.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111595769070698699?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111595769070698699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111595769070698699&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111595769070698699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111595769070698699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-15.html' title='Parte 15.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111587120389802746</id><published>2005-05-12T00:06:00.000-04:00</published><updated>2005-05-12T02:23:56.536-04:00</updated><title type='text'>Parte 14.</title><content type='html'>* Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegando em casa fui surpreendido, homens armados e com roupas de policiais me fecharam o cerco, tudo não passara de uma emboscada, droga. Os homens de Sodoma rapidamente notaram o embuste e se mandaram, ajudei impedindo a passagem dos policiais pela porta e eles conseguiram fugir. Andressa era uma detetive, já estavam na minha cola havia algum tempo, e um jovem maldito promotor, daqueles que adoram mostrar serviço, promovera tudo. Eu sempre imaginei que muita fama podia me levar a isso, e tinha também a coisa com Andresa, mas não havia o que fazer, acabei seguindo minha sina, não pude evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andressa evitava-me o olhar, o que me fez pensar que gostava de mim, talvez até se arrependia. Ninguém me ajudou, meu mundo caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui preso, julgado, condenado, tive alguns atenuantes, meu advogado caro era bom e valeu a pena, como tinha lavado algum dinheiro, sobrava-me para esse tipo de despesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei doze anos enfiado na jaula, que nem bicho, mas passou rápido. Logo quando saí, quem me recebeu nas portas de fora foi Andressa. Ao vê-la, logo disse-lhe: Não precisa vir desculpar-se, não precisa fazer-me a recepção aqui no mundo externo. Você só fez o que tinha de ser feito, era seu papel. Não posso negar que gostei de você, gostei e muito, e você também não pode me negar isso, pois eu sabia, eu sentia, e não precisa pedir perdão porque desde o primeiro momento eu compreendi. Andressa sorriu estranhamente, ficou sem reação e como era meio-dia chamou-me para almoçar com ela, aceitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o trajeto trocamos palavra nenhuma, e aos poucos fui percebendo que ela me levava ao restaurante João-de-barro da praça Alencastro. Olha Tadeu – sim, este era meu nome, e agora que já havia pagado meus crimes não precisava mais evita-lo, Andressa sabia disso -, durante todos esses anos eu quis te visitar, mas não dava, doía. Eu te gostei muito e ainda não deixo de gostar. – Disse-me, Andressa. O que podemos fazer? – Disse-lhe. Podemos viver juntos, nos divertir, fazer coisas boas das nossas vidas. Não sei, Andresa, não sei se podemos novamente.&lt;br /&gt;Após isso, levantei-me sem dizer palavra alguma e fui-me embora, sentia saudade da minha casa, das minhas coisas, minha mãe devia ter cuidado de tudo e eu ainda tinha as chaves. Naquele momento quis me importar com nada, queria apenas chegar em casa, Andressa que ficasse para trás. E pensar que eles usaram os fatos da psicóloga pra me pegar, me achar, ou justificar sua aproximação e investigação. A polícia tinha usado golpes baixos para comigo, e deviam saber disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111587120389802746?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111587120389802746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111587120389802746&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111587120389802746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111587120389802746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-14.html' title='Parte 14.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111569952936343877</id><published>2005-05-10T00:23:00.000-04:00</published><updated>2005-05-10T00:32:09.380-04:00</updated><title type='text'>Parte 13.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, acordei bem cedo, às oito, chamei Andressa para fazer-lhe todas as recomendações da casa e da geladeira, caso tivesse fome, e para dizer-lhe que não saísse, tampouco atendesse a campainha, em hipótese alguma. Andressa acedeu com um bocejo cheirando a sono de doçura indizível, e este momento foi importante porque exatamente nele caí de quatro pela safada, dali em diante vestiria a camisa e faria tudo por ela. Droga, sinto-me mal ao revelar minhas fraquezas e idiossincrasias para com trejeitos ‘baixos’ de mulheres bonitas, não passo de um babão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri até o beco do Sodoma, pois este saberia ao menos quem procurar, caso não soubesse dos fatos. Sodoma era uma bicha-louca-travesti que comandava toda a região central da cidade, todas as bocas, todos os batedores, todos os mendigos, e claro: todos os policiais. Sodoma tinha-me por grande estima, pois já havia falsificado diversos passaportes e vistos internacionais para que ele passeasse e realizasse seus negócios pelo mundo. Tinha contatos com a Colômbia, China, Estados Unidos, Dinamarca e uma porrada de países, era uma bixa-louca-travesti globalizada e de economia diversificada. Mas deixemos os detalhes de Sodoma de lado e vamos ao que interessa. Sodoma ouviu-me e disse que de pronto não tinha ciência, mas mandaria descobrir e trazer a cabeça do infeliz que não passara a ele tal ocorrência, pois tinha de saber de tudo, não admitia falhas, muito menos ocorrências obscuras em suas dependências. Sodoma fazia a linhagem Stálin, alimentava seus súditos e não admitia divergência e omissão, isso ele combatia rolando cabeças.&lt;br /&gt; Após tranqüilizar-me dizendo que assim que soubesse de algo me avisava, aconselhou-me a voltar para casa tranqüilo para esperar sua resposta, e junto mandou dois de seus mandados para fazerem-me a guarda&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111569952936343877?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111569952936343877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111569952936343877&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111569952936343877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111569952936343877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-13.html' title='Parte 13.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111561415100486562</id><published>2005-05-09T00:47:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T00:49:11.010-04:00</updated><title type='text'>Parte 12.</title><content type='html'>* Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto sorvia meu último gole de Tequila, em estado estupefato, pois já estava sorvendo aquele último gole há uns três ou quatro minutos, perdido na imensidão de mim mesmo, a campainha tocou. Despertei e corri pra atender. Era Andressa, disse-me que a casa de sua amiga estava com a porta arrombada e toda revirada, não encontrou a amiga e nem indícios de onde teria ido, ou sido levada; disse-me que a primeira coisa que pensou foi em correr para cá, pois, querendo ou não, o único que tinha para confiar era eu. Juntou suas coisas depressa e veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andressa estava com aspecto de pânico, aquilo só podia ser verdadeiro, não podia ser tão vadia e tão boa atriz assim. Recebi-a com o zelo recomendado para situações como aquela e senti que Andressa ficou satisfeita. Servi-lhe uma dose de Tequila, pois era a única coisa que pensei na hora, e que estava fácil. Disse-lhe que podia ficar em casa, sim, até que as coisas se resolvessem, disse também que no dia seguinte iria com ela até algum salão de beleza para que ela mudasse completamente seu figurino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem queria pegar Andressa, por que?! Ela só queria receber algum por conta de uma psicóloga safada que seduzia garotinhos e que causara duas mortes: a dela e a do irmão de Andressa. Oras, isso não era motivo para tanta perseguição, para tanta bagunça. Que mais havia de estar por trás disso? Após pensar muito, resolvi ter com alguns velhos conhecidos do submundo, essa turma conhecia todas estranhezas que aconteciam na cidade e todos que as causavam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111561415100486562?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111561415100486562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111561415100486562&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111561415100486562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111561415100486562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-12.html' title='Parte 12.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111550948368907884</id><published>2005-05-07T19:38:00.000-04:00</published><updated>2005-05-07T19:44:43.696-04:00</updated><title type='text'>Parte 11.</title><content type='html'>*Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levei-a ao melhor motel das redondezas, o Chili Love Blue, apenas a centelha do que ainda aconteceria. Dentro do Chili Love Blue as coisas se sucederam melhor do que esperava; Andressa era uma safada, devassona; e me satisfez de verdade, afinal de contas já havia passado da idade das tenras menininhas virginais ou semi, também da fase das mulheres recém-maduras-formadas-intelectuais-feministas ou todos esses diabos de mulheres que assim são, geralmente, entre os vinte e quatro e trinta e cinco anos de suas vidas nas cidades; precisava mesmo era de uma mulher de verdade, múltipla, sem inibições na cama que fossem reflexos de suas ideologias ou convicções políticas, uma mulher que fizesse tudo que fosse necessário, sem hesitar. Enfim, depois de todos esses encômios à Andresa, não desmerecidos, não vou contar exatamente o que se passou no Chili Love Blue para não prejudicar o desenlace dos fatos; fico numa ânsia pela descrição, mas preciso conter-me e prosseguir a narrativa, desculpem-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas aconteceram mais rápido do que esperava. Saímos revigorados do Chili Love Blue, deixei Andressa na casa de sua amiga, e notei a displicência de seus atos para com a desconfiança outrora depositada em mim. Disse-me que ligaria mais tarde e despediu-se dando-me um muxoxo úmido e viscoso na bochecha. Assombroso, pensei, Andressa já não liga para que eu saiba onde está morando, será que era tudo uma farsa, será que queria apenas se aproximar passionalmente de mim para me persuadir a participar dessa enrascada, será que Andressa é um engodo da polícia ou de outros falsários para me arrematar na concorrência. E agora, ela sabe tanto de mim, tem provas substanciais. Corro riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar em casa, sentei-me na mesa da copa, preocupado mas sem saber o que fazer, pois estava ciente de que não conseguiria me desprender de Andressa, mesmo considerando o risco que ela representava para minha estrutura. Estava em suas mãos e tudo que podia fazer naquele momento era esperar que me aniquilasse ou afagasse, e tomar uma dose de Tequila, não hesitei um décimo de segundo perante a segunda chance.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111550948368907884?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111550948368907884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111550948368907884&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111550948368907884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111550948368907884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-11.html' title='Parte 11.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111544167031905800</id><published>2005-05-07T00:52:00.000-04:00</published><updated>2005-05-07T02:31:53.546-04:00</updated><title type='text'>Parte 10.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;*Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto nos distraíamos inventando dados falsos, Andressa se abriu para mim; pude ver várias galhofas, sorrisos e gargalhadas extrovertidas, senti-me mais próximo dela. E nunca deixava de ser bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a confeccionar sua carteira de habilitação, Andressa mostrou-se bastante admirada por minha destreza e pluralidade de instrumentos usados. Como existem ferramentas pra isso!, será que já são fabricadas com estes propósitos? – Perguntou-me. Não sei, algumas eu mesmo fiz, outras consegui com outros falsários, e outras consegui no mercado negro; mas creio que há grupos que fabricam clandestinamente – claro – essas ferramentas indispensáveis para meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que terminei, Andressa convidou-me para um passeio, comer algo e tomar uns chopes, não seria mau negócio. No bar, Andressa segurou-me a mão, disse que estava sendo muito gentil com ela e, da bolsa, tirou um talão de cheques perguntando-me o valor do serviço. Disse-lhe que não cobraria nada, pois custara-me apenas três agradabilíssimas horas de trabalho ao seu lado; sei que exagerei na adulação e decaí até para um modo galante que não me correspondia e nem corresponde ainda hoje; logo que notei esse desvio, disse-lhe de supetão que não lhe cobraria por estar interessado nela, achava-a agradável sim e que as horas de trabalho tinham sido as melhores dos últimos tempos, mas acima de tudo, ela era uma mulher fodíssima e a queria loucamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andressa sorriu-me longamente, num misto de satisfação e perplexidade que pude diagnosticar facilmente, pois ela era um copo de vidro suado de sentido. Disse-me que desta vez pagaria a conta e perguntou-me se tinha em mente um local íntimo. Consenti apenas num gesto de cabeça com todas as proposições de Andressa, que apressou-se em ir ao caixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ela se enrolava com o caixa, eu pensava: puta merda, consegui a menina, nem creio; vai ser louco, muito bom Don Escultor; o foda é que agora vou ser teleguiado por essa vagina, ela vai acabar conseguindo de mim apoio, segurança, além da minha assinatura e exposição nesse rolo todo dela, sem contar que vai acabar se refugiando lá em casa, mas isso não é problema, afinal de contas vai ter sexo do bom e do gratuito vagando pelas paredes daquele apartamento como nunca; acho que vou dar uma parada em minhas atividades, ficar mais em casa, foder mais do que nunca; já consegui o suficiente. Ao cabo desta linha de pensamentos sensibilizei-me num lampejo e percebi o quanto a vida de um homem pós-moderno, opaco e ilícito é tangível e frágil; uma simples suposição de sexo já me levava ao delírio da vagina morando em minha casa, eu encerrando minhas atividades, sentindo-me apaixonado por ela; que pira. – Vamos, já está tudo certo – Andressa chamou-me rompendo o cordão umbilical da reflexão tresloucada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111544167031905800?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111544167031905800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111544167031905800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111544167031905800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111544167031905800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-10_07.html' title='Parte 10.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111518474740387623</id><published>2005-05-04T01:19:00.000-04:00</published><updated>2005-05-04T01:57:23.313-04:00</updated><title type='text'>Parte 10.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nossos pratos chegaram e Andressa conteve-se. Pegando o garfo disse-lhe: Olha Andressa, eu entro como, nisso tudo? Apenas falsificando uma identidade e CPF pra você? Isso – respondeu-me -, mas eu preferiria uma carteira de habilitação logo, pois já vem ambos e ainda me permite dirigir. Quanto custa? Acalme-se minha pombinha, não gosto de falar sobre valores enquanto me alimento, é sujeira que não deve se misturar à comida, pode contaminar e trazer sérias doenças – Calei-a por alguns instantes, deixando-a satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha razão em insistir que eu pedisse o mesmo prato que o senhor, é realmente muito bom. Mas não insisti, você que quis me imitar, ou estava com preguiça mesmo de olhar o menu. – Eu já estava ficando cúmplice de Andressa, ao passo que ela se mantinha na mesma postura respeitadora de sempre. Às vezes isso me incomodava, durante os diálogos, mas logo fui me sentindo mais à vontade e perdi a conta das vezes que chamei-a de minha pombinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confia em mim o suficiente para dizer-me onde está morando no momento? – Inquiri-a seco, sem circunlóquio, após a última garfada da minha salada, e ela estava tão compenetrada em sua refeição que pareceu-lhe um grande desafio. Bem... creio que não devo, senhor escultor. Tudo bem, não é estranheza alguma desconfiar de um falsário como eu. Vivo no mundo loquaz e dinâmico da sujeira, da imundície, e da inescrupulosidade velhaca; não sei se me está armando uma insídia, desconfio de tudo também, e não me ofendo com a sua. Oras senhor escultor, o senhor, apesar de tudo, é um dos poucos que ainda confio. E sabe muito bem que é o último em quem deveria confiar, mas seu aspecto é nobre, me traz paz e segurança, sinto-me acolhida, por isso confio no senhor. Não lhe revelo por cautela, rigorosa cautela, só isso. Tudo bem minha pombinha. Vamos até meu escritório. Tem foto três por quatro aí? Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paguei a conta, levantamos e saímos, lá em meu escritório encontraria o vazio, e ela estava junto comigo, faria diferença, e eu teria de fazer-lhe o documento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111518474740387623?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111518474740387623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111518474740387623&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111518474740387623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111518474740387623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-10.html' title='Parte 10.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111501861484759194</id><published>2005-05-02T03:21:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:57:32.286-04:00</updated><title type='text'>Parte 9.</title><content type='html'>*Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, logo cedo, o telefone tocou. Atendi atordoado de sono, ainda eram oito da manhã. Alô, senhor escultor?. Sim. Desculpe ligar a essa hora, mas queria muito falar com o senhor, é a Andressa, surgiu coisa nova, preciso falar-lhe, é sobre... Olha só Andresa – interrompi levissimamente irritado -, gostaria que me deixasse em paz, tenho muito trabalho e não vou me envolver com essa sua loucura de gente doida que quer processar defunto e achar culpado do além. Mas é disso mesmo que preciso do senhor, do seu trabalho; pagarei tudo direitinho, esqueça as assinaturas; onde posso vê-lo? Bem, encontre-me ao meio-dia no restaurante João-de-barro, aquele da praça Alencastro, se eu não estiver lá é porque mudei de idéia e desisti de te atender, daí não se preocupe, pois faço isso sempre. Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Droga, pensei, que diabos aquela mulher do demo queria comigo. Ela era muito envolvente; não passava de um engodo dos mais ardilosos. Acabaria certamente caindo naquilo, era meu ponto fraco. Ainda tinha toda a manhã para pensar em não ir, mas ela era muito linda pra ser dispensada assim. Merda!, exclamei alto em meu apartamento solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meio-dia, pontualmente, Andressa entrou no restaurante João-de-barro, como combinado. Veio com aquele andar grave, uma maquiagem muito da bem-feita. Era linda de todo jeito. E eu só conseguia pensar: “Merda, droga e merda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico feliz por não me desapontar – disse-me -, o senhor já pediu seu prato? Ainda não, estava por esperar-te. - Pronto, já havia iniciado meu ar descarado de galanteador barato. Assistia muitos filmes cinquentistas, sessentistas, e até quarentistas, e com isso tinha adotado os modos daqueles conquistadores boêmios de outrora, dos filmes de brilhantina; achava isso demais de elegante, e não percebia que já não mais cabia, muito menos a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de pedir o mesmo prato que o senhor, creio que já tenha mais experiência com esse restaurante. – Andressa disse contemplando-me a investida. Garçom, por favor, duas saladas completas número oito. Pois não senhor, algo para beber? Pra mim por enquanto nada, e pra você, Andressa? Também não. Que interessante, me arrisquei a pedir o mesmo prato que você achando que pediria algo mais...mais...substancial; enganei-me, mas tudo bem, vou mudar minha alimentação pelo menos hoje. A salada daqui é muito boa, e esse prato número oito vem com ótimos molhos, e ovos de codorna, o que dá uma certa ‘substância’ a mais. – Encerrei o assunto dos pratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, Andressa, o que houve desde nosso encontro de ontem à noite para hoje cedo? – Perguntei-lhe insuflando-me de ar sisudo. Alguém está querendo me matar. Recebi uma carta de ameaça com letrinhas recortadas. E logo pensei no senhor. Não posso desistir de tudo e sair correndo como uma covarde, preciso terminar o que comecei. Não quero dizer que acho que o senhor esteja envolvido, pensei no senhor pois vou me mudar, fazer umas transformações de visual e conseqüentemente preciso de documentos novos e falsos. Não vou procurar a polícia, tampouco aquele serviço recente de proteção a vítimas e testemunhas, creio que o senhor possa ser muito mais ágil. – Enquanto isso, eu só pensava: meu deus, mudar esse rostinho lindo, esses cabelos fabulosamente enrubescidos, aiaiai. – Meu apartamento já está fechado, juntei minhas coisas mais importantes, ontem à noite mesmo, e fui para a casa de uma amiga; vou permanecer assim vagando por casas de amigos meus, e mantendo contatos anônimos com os associados. Pra dizer a verdade, agora quero somente processar as entidades responsáveis, apenas pelo caso do meu irmão, depois que isso acabar e alguém for punido, eu vou abandonar essa idéia toda, e novas psicanalistas que quiserem fazer suas estripulias com pacientes que se danem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após todo esse desabafo, Andressa desatou a chorar, logo em seguida a rir. Eu já apoiava minha cabeça com o cotovelo sobre a mesa. Uma gafe tremenda, mas Andressa tinha cuspido tantas palavras que eu estava estupefato. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111501861484759194?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111501861484759194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111501861484759194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111501861484759194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111501861484759194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/05/parte-9.html' title='Parte 9.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111489799283370137</id><published>2005-04-30T17:50:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:48:59.290-04:00</updated><title type='text'>Parte 8 .</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;* Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxa vida, veja bem Andressa, não sei como te ajudar. Tive relações sim com ela, gostei muito, mas era muito jovem e bobo. Não sei se quero me envolver com isso, sabe, sofri de certa forma, e estou bem agora. Creio que fantasmas não devem ser ressuscitados. – Disse-lhe com certa categoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem senhor escultor, preciso ir, é uma pena não ter obtido sua ajuda, talvez o senhor até ganhasse uma indenização, algum benefício decorrente do processo. Mas espero que, se um dia sua ajuda for indispensável, eu possa contar com o senhor. – Andressa levantou-se, com toda sua elegância, ajeitou o cabelo, pediu-me licença e saiu porta afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o resto da noite pensando apenas no que havia ocorrido. Na aparição surpresa daquela mulher, elegante, bonita, e que, mesmo me explicando com detalhes todas as razões que a traziam ali comigo, mantinha um aspecto de mistério indissolúvel, impenetrável. Havia algo naquela mulher, ela mexera demais comigo, e gastei toda a noite a repensa-la.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111489799283370137?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111489799283370137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111489799283370137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111489799283370137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111489799283370137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-8.html' title='Parte 8 .'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111480192662437136</id><published>2005-04-29T15:05:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:47:12.933-04:00</updated><title type='text'>Parte 7.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;* Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou irmã de um garoto, que como o senhor, foi paciente desta doutora. – Começou a contar-me, ela. – Meu irmão enlouqueceu de paixão por ela, pirou mesmo, e foi ele quem a liquidou. Enquanto aguardava o julgamento, em uma boa oportunidade, suicidou-se, deixando toda minha família muito abatida. Algo devia ser feito, pensei, e então comecei a reunir antigos pacientes e fazer um levantamento sobre todos que tinham sido seduzidos. Já descobri muitos. O senhor, teve alguma relação passional com ela? – perguntou-me. Sim, tive, talvez tão intenso quanto seu irmão, porém com conseqüências distintas. – Respondi. Bem, então vou adiantar meu objetivo: quero reunir todos os pacientes molestados para fundar uma associação que lute contra esse tipo de ocorrência no interior de sessões de psicanálise. Soube, por pesquisas autônomas, que acontece muito, e coisas cada vez mais esquisitas. Quero, também, processar a faculdade que formou essa mulher e o conselho de psicologia que a regulamentou e permitiu que exercesse sua profissão. Acho que ambos têm culpa, e não podiam ter autorizado alguém como ela a entrar no mercado. Olha moça, desculpe ainda não ter perguntado seu nome, e também nem sei como sabe de mim e como chegou até aqui. – Disse-lhe demonstrando interesse crescente. Sou Andressa, e para te encontrar foi um pouco difícil. Encontrei seu nome na antiga relação de pacientes da psicanalista, procurei-o por telefone, soube que tinha mudado, fui então até seu endereço e uma mulher passou-me o novo endereço de sua mãe. Ao mesmo tempo, pesquisei por seu nome nos buscadores da rede, e conheci bastante sobre você, inclusive sua atividade e seu famigerado pseudônimo. Enfim, não precisei visitar sua mãe e, através de contatos que me passaram para outros contatos, aqui estou. E só preciso de sua assinatura e alguma colaboração futura, caso seja necessário.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111480192662437136?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111480192662437136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111480192662437136&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111480192662437136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111480192662437136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-7.html' title='Parte 7.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111457612387177524</id><published>2005-04-27T00:24:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:44:36.873-04:00</updated><title type='text'>Parte 6.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cinco anos se passaram, eu estava já acostumado a minha boa vida. Formado, prestava consultoria numa firma de fomento mercantil. O salário lá era bom, mas mesmo assim permaneci com meus negócios ilícitos, pois já tinha feito muitos amigos, parceiros, e me enfiado até a cabeça naquele submundo. Minha fama corria por todos os becos sujos infestados de colarinhos brancos desse país, era conhecido como ‘Escultor de Documentos’. Modéstia à parte, as coisas que eu confeccionava eram uma perfeição mesmo, todos os falsificadores tinham, pelo menos, algumas falhas e apreensões em seus currículos, eu nunca. Ei de convir que não detonei a concorrência pelo simples motivo de ter aumentado demais meus preços, quem tinha muito dinheiro se garantia, quem não tinha fazia por aí mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma garota de cabelos vermelhos lisos, pele branca, parecia estrangeira, chegou em meu escritório numa noite fria de Junho. Disse-me que tinha algo do meu interesse para falar-me. Acho difícil benzinho, quem vem aqui no meu escritório, muito mais numa hora dessas, é que tem muito interesse em mim, respondi-lhe. Insisto, Sr. Escultor de Documentos, é algo importante - retorquiu a moça sapeca. Tudo bem, entre - assenti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça sentou-se suavemente na cadeira que lhe estendi. Tinha modos muito elegantes; uma verdadeira dama, pensei comigo. Pois bem moça, o que a traz aqui?, perguntei. Então, sei que há muitos anos atrás, o senhor fez psicanálise com esta psicanalista – mostrou-me um cartão de visita com uma foto da danada -. O senhor a reconhece? Sim, perfeitamente. Foi há muito mesmo, quando ainda era adolescentezinho. Então assim damos o primeiro e mais importante passo. Agora, peço que o senhor se acalme e junte bastante paciência, pois o que tenho a lhe contar, e posteriormente a lhe pedir, é bastante complexo, porém do seu interesse. - Com estas palavras, ela me surpreendeu e justificou sua presença ali, ao mesmo tempo e me deixando confuso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111457612387177524?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111457612387177524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111457612387177524&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111457612387177524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111457612387177524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-6.html' title='Parte 6.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111439272348662879</id><published>2005-04-24T21:27:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:41:01.646-04:00</updated><title type='text'>Parte 5.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;* Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma atividade meticulosa, cheia de macetes muito dependentes da destreza. Alberto tinha inúmeros equipamentos que o auxiliavam, mas sempre tinha de dar uma pitada de sua arte, nas assinaturas, nos pontilhados, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Confesso que fiquei surpreso com minha facilidade para manejar tais equipamentos, e para confeccionar documentos falsos. Em apenas um mês, eu já fazia-os tão bem quanto ele, e Alberto pôde aceitar mais e mais encomendas, aumentando nosso faturamento. Satisfeito com meu serviço, logo Alberto passou a dar-me vinte por cento dos lucros, ao invés de apenas parte de minhas próprias produções. Tudo bem que nesta fase era eu quem produzia mais mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enriqueci, ia para a casa de Alberto às oito da manhã, almoçava lá mesmo, empilhado de serviço, e à noite ia para a faculdade. Logo comprei um carro, saí de casa, aluguei um puta dum apartamento e comecei a desfrutar do sossego que o dinheiro independente pode proporcionar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111439272348662879?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111439272348662879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111439272348662879&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111439272348662879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111439272348662879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-5.html' title='Parte 5.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111430626014884102</id><published>2005-04-23T21:29:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:39:53.863-04:00</updated><title type='text'>Parte 4.</title><content type='html'>* Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após todo esse episódio, desisti peremptoriamente de qualquer tipo de terapia psicológica. Gastava meus dias lendo belos e felizes romances, aqueles tipos água-com-açúcar mesmo, até esbarrar em Lolita do Nabokov e tomar horror aos livros. Ia nas praças da cidade, coisa que jamais fizera, passei a acordar às seis e meia da manhã para fazer caminhada em um parque próximo a minha casa. Durante esses passeios, todo tipo de pensamento me assaltava, descobri um elo ao mundo das idéias: caminhar de manhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A idade me foi chegando, as responsabilidades também, logo percebi que deveria tomar alguma atitude, pensar em algo rentável, produzir alguma coisa. A tutela do ensino médio acabava, resolvi cursar economia na universidade federal, prestei o vestibular e facilmente passei, não era tão difícil assim. Como estudante, passei vários maus bocados, o dinheiro minguava, a mesada foi ficando cada vez menos para minhas necessidades cada vez mais, e pensei em trabalhar, aliás, trabalhar não, ganhar dinheiro. Precisava ganhar dinheiro para manter minha vida boa e estudar. Não queria ralar. Foi então que conheci Alberto, um veterano da faculdade, estava já no último ano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em várias conversas de botequim, eu expunha para Alberto minhas aflições, inclusive a necessidade de fazer dinheiro fácil. Alberto sabia como me ajudar. Ele fazia um trabalho de falsificação de documentos, de todo tipo de documentos: carteiras de habilitação, identidades, CPF’s, passaportes, até vistos dos Estados Unidos e de Portugal já conseguia falsificar, estava se dedicando inteiramente àquilo e, assim que formasse em economia, se dedicaria integralmente à atividade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alberto confiava em mim, queria me ver bem, e me disse sobre isso, claro que sem esconder certa apreensão. Demonstrei contentamento com o conluio, mostrei-me confiável. E Alberto convidou-me a ir um dia em sua casa conhecer o ofício.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111430626014884102?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111430626014884102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111430626014884102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111430626014884102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111430626014884102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-4.html' title='Parte 4.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111324269337905367</id><published>2005-04-11T14:03:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:34:30.953-04:00</updated><title type='text'>Parte 3.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;*Ler posts anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias se passaram e logo parecia que eu havia esquecido todos os torpes acontecimentos, procurei reorganizar e prosseguir minha vida. Quando imaginava tudo superado, passei a ter sonhos eróticos, onde várias mulheres figuravam: mulheres anônimas, desconhecidas, outras sem rostos definidos e com movimentos e atitudes peculiarmente familiares, o que me levava a presumir que as conhecesse; além destas, figurava também minha analista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após umas três ou quatro repetições deste sonho - sempre a mesma situação, mas com acontecimentos diferentes -, minha analista passou a conversar comigo, em todos eles. As outras mulheres já não mais me tocavam, e aos poucos iam se afastando. Em alguns sonhos, já representavam apenas papéis secundários, como se fossem dançarinas, figurantes, e foram se distanciando até se dissiparem de vez. A analista dizia que eu era um jovem especial, que precisava de sexo para auto-afirmar-me; eu não compreendia isso - ou não queria compreender - nem em sonho, nem acordado. Então os sonhos passaram a sugestionar lições, e, em seus finais, estas lições se explicitavam através de suas palavras; depois de concluída a lição do dia - do sonho -, a analista desaparecia repentinamente. Cada noite ela falava sobre algo diferente, depois ilustrava com uma estória, e no fim concluía com apótegmas. Ao passar dos sonhos, ela foi tomando um ar grave, foi se tornando uma profetiza afetada, encarnada, aquilo me assustava. Certo dia, disse que eu devia procura-la, disse que eu sabia que devia procura-la. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acordei com isso me incomodando, nunca mais tive esses sonhos assombrosos, entretanto, esse pensamento não saía de minha cabeça: devia procura-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após alguma resistência, fui ao seu consultório, sem avisar, sem marcar, qualquer olhadela para ela já me seria suficiente. Não encontrei mais seu nome na placa do prédio comercial. Estranhei, perguntei ao porteiro para onde a analista ‘tal’ havia se mudado. Ele me disse algo estarrecedor: havia sido assassinada por um paciente enlouquecido, e mais, disse que sabia das sacanagens que a analista usava fazer com seus pacientes, que várias mães já haviam notado e reclamado, e que achava muito bem que isso acontecesse com ela, uma mulher sem propósito e sem Jesus no coração. Achei um pouco de graça da opinião do porteiro, era um senhor de já uns cinqüenta anos, e com certeza evangélico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saí assustado do prédio e fui direto para casa, querendo apenas esquecer tudo aquilo e não mais ter aqueles terríveis sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111324269337905367?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111324269337905367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111324269337905367&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111324269337905367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111324269337905367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-3.html' title='Parte 3.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111293656095087195</id><published>2005-04-08T01:02:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:31:43.710-04:00</updated><title type='text'>Parte 2.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;* Ler post anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo fazendo questão de que eu me sentisse um imbecil, ela me aceitou da tal forma, e a sessão deste dia de retorno foi de sexo alucinante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em uma quarta-feira, dia de praxe das sessões, cruzei um garoto no corredor do prédio, saindo do consultório dela; ele trazia um sorriso jovial, um tanto incômodo - para mim. Cheguei até ela, e lhe perguntei se o rapaz que acabava de sair era seu paciente. Ela confirmou, e já foi tirando a blusa, como de costume. “Não, espere!”, exclamei. Perguntou-me o que havia. “Um garoto sai daqui todo saltitante, você está com aspecto de desgastada, esta sala fede sacanagem, e você ainda me pergunta o que é que há?”, inquiri enérgico. Disse-me apenas que era um paciente seu, e que minhas acusações eram sem sentido. Perguntou-me se queria transar ou não. “Droga, pare de agir com essa naturalidade absurda! Você não sente, não tem melindres, não tem paixão alguma nisso?!”, gritei com ela. “Pra te dizer a verdade, eu vivo disso; não sou uma analista tão competente assim, ou talvez o seja em demasia, pois rapidamente dispenso meus pacientes, como foi com você. Entretanto, comecei a notar um grande interesse por parte dos adolescentes, eles me têm como uma musa do sexo, me idolatram, você entende muito bem o que estou falando. Então, à partir disso, comecei a me dedicar mais a vocês - adolescentes, e a lhes provocar, incitar, instigar. Resultado: transo com os adolescentes, que são limpinhos, cheirosos, muitas vezes até virgens, e eles continuam seus tratamentos mesmo após já terem concluído. Continuo recebendo por minhas sessões, evidentemente, e tenho o prazer de conhecer muitíssimas bundinhas brancas e inocentes como a sua; sim, sou um pouco perversa”, revelou-me assim toda a sua verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei estupefato, estarrecido. Fui embora triste, sem dizer-lhe uma palavra, estava gostando dela, tinha sido minha preceptora ao sexo. Após algum tempo, compreendi suas razões. Decidi não voltar mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111293656095087195?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111293656095087195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111293656095087195&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111293656095087195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111293656095087195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/parte-2.html' title='Parte 2.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111285459160252673</id><published>2005-04-07T02:15:00.000-04:00</published><updated>2005-05-13T00:32:28.996-04:00</updated><title type='text'>O Escultor de documentos - Parte 1.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era garoto, gostava de levantar a saia das meninas no intervalo do colégio, sempre era levado para a direção e tomava advertências. Fiz terapia durante um tempo com uma psicóloga bonita, libidinosa; com apenas doze anos, eu já podia sentir o cheiro de luxúria que exalava dela e vinha sentar-se ao meu lado, em meu divã, para causar-me delírios absurdos; enquanto falava-lhe baboseiras sobre minha infância e pretensões futuras, imaginava, com o outro pólo de meu cérebro, posições eróticas com ela. Tinha roubado uma versão do legendário kama-sutra de uma livraria perto de casa, tinha noção do assunto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ela veio com o papo de que eu já estava curado e poderíamos cessar a terapia, caso eu concordasse; fremi com cautela, empalideci, depois dissimulei e concordei. Droga, já estava apaixonado por ela, e não devia ter concordado. Pronto, a atmosfera perfeita para que o objetivo de minha vida, a razão de minha existência, fosse: conseguir desculpa razoável para retornar. Enquanto voltava para casa, no ônibus, pensava sobre este assunto. Quando cheguei, já havia tomado uma decisão: simplesmente diria que não me sentia curado e queria seguir mais com o tratamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte, lá fui novamente, ao seu consultório, no oitavo andar de um prédio vistoso, envidraçado. Não resisti ao ver aquelas belas pernas e revelei-lhe o verdadeiro motivo que me fazia estar ali novamente, aos seus pés.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;*: Segue depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111285459160252673?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111285459160252673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111285459160252673&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111285459160252673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111285459160252673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/04/o-escultor-de-documentos-parte-1.html' title='O Escultor de documentos - Parte 1.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111188621468444512</id><published>2005-03-26T21:15:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:58:32.443-04:00</updated><title type='text'>Consuelo na sorveteria.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pés delicados, suas nuances desconcertavam, sabia como ninguém provocar um homem. Costumava ler Maiakóvski nos banquinhos de concreto da velha sorveteria do calçadão. Adorava poesia, e declamava com um ímpeto representativo contundente. Certa vez até ganhara um concurso de declamação em um badalado Sarau da cidade. Os amores passavam para Consuelo, e ela não envelhecia. Sua pele permanecia fresca, seus sonhos: intocáveis, suas verdades: absolutas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111188621468444512?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111188621468444512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111188621468444512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111188621468444512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111188621468444512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/consuelo-na-sorveteria.html' title='Consuelo na sorveteria.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111186379892347148</id><published>2005-03-26T15:00:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:53:20.336-04:00</updated><title type='text'>Dolores.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As paredes cobertas por um papel mofado, fedendo a cigarro. Aqueles móveis silenciosos, oniscientes. Aquela sala tinha muita estória pra contar, já havia presenciado orgias dionisíacas, glórias e inglórias pessoais, torpores ébrios, gritarias roucas. Dolores já era uma mulher velha, desgastada. Vivera toda sua vida entre aquelas paredes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A campainha tocou quebrando o tédio. Dolores correu para atender e era Pablito. Viera chamá-la para ir consigo. Suas vidas poderiam se fundir, se juntar, talvez assim ficasse mais fácil suportar a fleuma existencial daquela idade tão escondida, a velhice. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Toda a vida, após os vinte anos, Dolores passara naquele apartamento. Os prédios de Madri eram mais vistosos de lá. Havia uma clássica elegância naquele panorama que inspirava Dolores a se manter viva. Por mais insípida que sua vida fosse, ela a vivia com elegância, com classe. Era demasiado feminista para se ‘juntar’ a alguém. Estava velha, cansada, desgostosa, já quase encerrada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111186379892347148?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111186379892347148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111186379892347148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111186379892347148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111186379892347148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/dolores.html' title='Dolores.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111095570686270297</id><published>2005-03-16T02:26:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:49:18.663-04:00</updated><title type='text'>Sacanagens a parte, eu sei viver.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tudo incomoda, de certo modo. Nada é ajustado, de certa forma. Tudo está errado, de alguma maneira. Nada está certo, de qualquer jeito. Eu penso sobre todas as perspectivas de um mesmo problema. Os prismas múltiplos não modificam a natureza do problema, contudo, também não se enganam. É mais fácil verter uma caneta ao papel do que matar alguém com alguma arma de fogo. Então por que as estatísticas são assim? Eu amo modificar as coisas: hoje fui ao cinema, e havia uma garota escandalosa, gritando a cada cena mais picante do filme; eu já tinha visto garotos escandalosos, mas nunca garotas; aliás, já tinha visto garotas escandalosas sim, porém feiosas também. Sabe aqueles tipos feios, desgostosos, nojentos, repugnantes. Sim, apenas garotas assim usavam cometer grosserias nos cinemas. Tudo bem, ponderei que a infame que gritava besteiras atrás de mim deveria ser mais uma desses tipos. Ao decorrer do filme, ela foi me chamando atenção, cada vez mais. Os xingamentos dela passaram a ter certo sentido, apesar de torpes. Ela era inteligente e oportuna, devia reconhecer. Esperei até o final do filme para dar uma olhada desesperada para trás e ver enfim a autora dos vilipêndios sutis, se é que podem ser. As luzes se acenderam e era uma menina linda, de olhos verdes cativantes, e ela fitou meus olhos no exato momento que eu também o fiz. Ela devia ter notado minha irritação com suas deixas maldosas. Fitou-me, por longos quatro segundos, como eu o fiz, até perder o fluxo denso de seu fito ao retirar meus óculos. Ela devia ser interessante, mas eu a perdi, por falta de atitude talvez, por falta de empenho, por falta de coragem, e por medo, medo de conhecer alguém nesta atmosfera já declaradamente condenada por mim. Talvez minhas limitações auto-impostas já estão agindo, de modo impertinente, como agora. Após a pequena desventura, que se perdera nas ruas vazias e opacas do trajeto de volta, fui pra casa, comi bolo de chocolate, assisti outro filme: Meninos de Deus. Quando minha avó foi se deitar, eu tive vontade de desejar-lhe boa noite, um impulso forte, incontrolável, curioso, assombroso. Pausei o filme, abri a porta de seu quarto, ela ainda estava com o abajur aceso, levemente adormecida. Ajoelhei-me e disse: "boa noite vó". Ela sorriu e abriu os olhos, não disse uma só palavra, outro fato assombroso, pois minha avó é demasiado tagarela. Então pude notar que seus olhos eram verdes, como os da menina do cinema. Nunca notara que os olhos de minha avó eram verdes, só pude fazê-lo hoje, com ela deitada em sua cama, em um sorriso indulgente, indulgente para com minha falta de escrúpulos, minha falta de reconhecimento para com ela, minha perda de afeição que veio junto com essa idade 'adulta', eu não sou mais o garotinho da vovó.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111095570686270297?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111095570686270297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111095570686270297&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111095570686270297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111095570686270297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/sacanagens-parte-eu-sei-viver.html' title='Sacanagens a parte, eu sei viver.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111086463168778520</id><published>2005-03-15T01:30:00.000-04:00</published><updated>2005-03-15T01:30:31.686-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/100/4103/320/sp11e.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/100/4103/320/sp11e.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Presente para ela.&amp;nbsp;&lt;a href='http://www.hello.com/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbh.gif' alt='Posted by Hello' border='0' style='border:0px;padding:0px;background:transparent;' align='absmiddle'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111086463168778520?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111086463168778520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111086463168778520&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111086463168778520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111086463168778520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/presente-para-ela.html' title=''/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111086020291306589</id><published>2005-03-15T00:16:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T02:29:31.376-04:00</updated><title type='text'>ensaio-pensamento-religião.</title><content type='html'>&lt;p class="mobile-post"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele veio sem forças reiterar a necessidade de entoar ditirambos alegóricos em torno de mulheres dignas e sãs ao passo que a sandice nunca fora uma virtude tão apreciada assim pelos pagãos inventados pelos cristãos que sem pena da dor causada pela inquisição pregaram a compaixão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O sacrifício untado de dor desvanece suas razões diante do protesto eloqüente dos calvinistas mais exaltados pela fé divina quando este fora suscitado em vão pelos mártires da salvação excomungando sacerdotes idílicos honestos e inocentes da fogueira equivocada e inflexível da fé.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tangente a toda destruidora e avassaladora fé cristã permanecem os medíocres púdicos pela falta de postura decisória ao lado dos impúdicos que se revelam exímios sérvios do falso-senhor-mor que a todos congrega em louvor a opressão absoluta da mente da carne e do pensamento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os operários não se cansam de verterem suas palavras blasfemas para com a religião da razão humana em objetivo claro da deterioração humanística pelos próprios homens propagando a discórdia intransigente em mentes néscias e desprovidas de senso-comum-benevolente que se usam destes rigores para encerrar a prostração humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mais uma vez livremente inspirado no sistema literário do senhor Becket, sei que não tenho intimidade pra isso, mas e daí?!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111086020291306589?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111086020291306589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111086020291306589&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111086020291306589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111086020291306589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/ensaio-pensamento-religio.html' title='ensaio-pensamento-religião.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111074342325944716</id><published>2005-03-13T15:50:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:57:16.550-04:00</updated><title type='text'>A capacidade de perscrutar.</title><content type='html'>&lt;p class="mobile-post"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Descobri, vidente, um alento perto de você,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;meu sonho disse para me informar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;e não me preocupar em descer,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;pois mais abaixo não iria, sem você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Vi em raios do sol, o seu sorriso,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;quando esperei, a chuva veio, e destruiu,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;o som me roubou o fôlego,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;eu não quero mais questionar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Os estetas da poesia podem me condenar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;os ascéticos podem me prender,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;os dúbios podem me glosar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;mas eu não quero mais criar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111074342325944716?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111074342325944716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111074342325944716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111074342325944716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111074342325944716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/capacidade-de-perscrutar.html' title='A capacidade de perscrutar.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111061367728900122</id><published>2005-03-12T03:35:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:33:19.593-04:00</updated><title type='text'>Isso tudo não passa de um desvario.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O pensamento fora subitamente substituido pela dor invasiva e incoerente que merecia o despudor do homem mais sublime desta nobre elevação de terra onde não passava de um simples lugar no qual a mulher mais voluptuosa foi gerar um filho do padre da paróquia de São Jerônimo que eu não sei onde fica por ser um lugar ermo nunca passei por lá onde as menininhas temem ser estupradas porque vêem diariamente no diário notícias desastradas de pessoas que são atropeladas por carros desgovernados guiados por homens embriagados que perderam a mulher o filho e o dentista safado que comia a secretaria jurando amor eterno ao seu cônjuge sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escritores já não são os mesmos ao passo que se deixam influenciar por paixões doentias que os remetem à cólera e a perdição e a redenção sabe que de tudo isso não tem culpa por ser um sentimento comum e inerente ao homem ela se sente no direito de atingir do pobre ao rico pois quem disse que a democracia não é assim tão democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O direito de usufruir nossas riquezas está meramente ligado a capacidade intelectual de um povo ao passo que este também não pode dominar um outro vindo de alhures observando seus subservientes da rainha bonita safada e despudorada que me disse um dia sobre a filosofia pois que esta não me serve quando mais preciso ela se esvai como areia fina em meus dedos grossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde consiste a revolução consistem os erros comuns e padecem pela liberdade de escolha entre amar morrer odiar e eu sei que tudo não passa de meras considerações finais acerca do bem e do mal que levou Agostinho O santo a crer sobre a teologia cristã quem dirá até mesmo funda-la com seus dedos sacros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo pelo sabor do vento das ondas sonhando com o a-mar do alto do farol que vê tudo de muito longe vem Iasmin minha doce e venerada amada do serviço de imigração Espanhol que tanto estimei por ter curado minha doce Bárbara um dia a menina vinda das terras bárbaras para causar a bárbarie nas terras cultas tão porcas conservadoras perdidas e paridas na imensidão dos campos agícolas que só produzem o suficiente para encher a pança de seus filhos bastardos por excelência da índole de seus pais corruptos e ganaciosos ao ponto de transmutarem a natureza da inteligência humana em favor das fraudes ilícitas claro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Livremente inspirado em um dos sistemas literários do velho Becket. Uh!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111061367728900122?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111061367728900122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111061367728900122&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111061367728900122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111061367728900122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/isso-tudo-no-passa-de-um-desvario.html' title='Isso tudo não passa de um desvario.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111061281119746455</id><published>2005-03-12T03:20:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:22:28.616-04:00</updated><title type='text'>Elegância!?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Elegância?! Pedem-me para agir assim, me aconselham a escrever assim, por vezes até exigem. Mas como posso fazer isso? Se sempre fui doutrinado de outro modo. Essa tal elegância, da qual eles falam, não está incluída em meu menu pessoal. Eu preciso de mais água, água por favor, sempre vou precisar de água, não se esqueçam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tênue?! Tênue é a puta que pariu! Sou exagerado mesmo, pra mim nada basta. Quero me enfiar pela noite, beber tudo o que tenho direito, foder todas as ninfetas carentes e mal-pagas da região. Mas isso tudo eu só posso fazer em dados momentos, regulares. Digamos que uma vez a cada dois meses. A última fiz esses dias, quando será a próxima? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu encontrei meu cão Boni (apelido abreviativo de Bonifácio) esses dias. E ele me disse que nós somos muito estranhos, ele não nos compreende. Disse que precisa de apenas alguns ossos velhos para ser feliz, e que nós obrigamos ele a comer aquela merda de ração para cães, ele disse também que sabe que é um cão, mas que não quer ser tratado com ração para cães, pois sendo tratado com ossos velhos ele seria muito mais feliz. Concordei com ele, e desde esse dia eu passei a separar, para ele, todo tipo de osso que encontro pela frente. Então, após um mês, novamente Boni me surpreendeu. Ele me disse que o futuro era um turbilhão louco e que iria me devorar. A princípio duvidei, mas logo percebi que Boni havia incorporado a alma de um grande sábio persa. Além disso, Boni disse que o mundo precisava dele, que as flores não mais sorririam para os homens como antigamente, e que uma grande rebelião animal estava para explodir. Após todas suas afirmações, Boni sempre concluía com: "Eu sou o Boni, de tudo eu sei, eu sei de tudo, eu sou o Boni". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje quando acordei e pensei nisso tudo, fiquei perplexo. Boni fora uma revelação, e não um mau uso da razão. Até então eu não cria neste tipo de fenômeno, achava vulgar demais para mim. Mas agora já não sei, revelações se revelaram, temo que agora elas passem a se rebelar contra mim. Mas eu não abro mão da razão, esta me acompanha, e me guiará pelo escuro, sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111061281119746455?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111061281119746455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111061281119746455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111061281119746455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111061281119746455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/elegncia.html' title='Elegância!?'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111006739816331920</id><published>2005-03-05T20:03:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T01:24:16.600-04:00</updated><title type='text'>Meu trabalho miserável</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os olhos do mendigo que me pedia esmolas pareciam brasas, que reluziam todo o poder do fogo do inferno; eu jamais acreditara nessas bobagens, porém neste dia eu hesitei. A criança que havia acabado de perder o pai me indagara sobre seu futuro, eu não sabia o que dizer. Eu era assistente social, neste tempo, e lidava com toda a sorte de infelizes, era mister que os bem tratasse. Mas havia problemas e absurdos desgraçados, desregrados; tinha coisas que eu não podia enfrentar, não sabia lidar. As vezes tudo o que eu mais gostaria de dizer a algum destes era que sua vida era uma miséria absoluta, que ele estava completamente fudido, e que eu poderia ajuda-lo com seu suicídio, se assim o quisesse. Mas não podia fazer isto, o estado me ‘confiava’ salvar e assistir a vida dos infelizes. O estado além de hipócrita, era ineficiente, o que todos já sabem. Com sua política equivocada, tendenciosa e corrupta, o estado criava estes milhares de desamparados, marginalizados, fudidos, e ainda tinha a pretensão dissimulada de me colocar para salvar a droga de vida deles, como se isto fosse possível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu Florisberto era um ‘mendigo de pedigree’ – como diria nosso prestimoso cronista Cuenca. Florisberto todos os dias chegava a sede da assistência social ora trazido pela PM, ora por seus próprios pés. Ele, por motivo exato que desconheço, entornava litros e mais litros da mais vil bebida alcoólica que encontrasse pela frente. Passava o dia pedindo trocados, para assim que juntasse o suficiente o trocar por alguma bebida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia a Dona Carmelisa, uma enfermeira de cinqüenta e quatro anos que trabalhava lá neste lar de desamparados. Ela era uma senhora muito sábia. Eu tinha a ligeira impressão de que ela fora um anjo que viera ao mundo trazer mais amor e sabedoria, para nós humanos, que vivíamos no limbo de nossas pretensões e presunções exacerbadas. Dona Carmelisa tratava Seu Florisberto com uma paciência e condescendência que me comovia. Dona Carmelisa sempre dizia, que haviam homens para curar, e homens para serem curados.&lt;br /&gt;Todos os dias eram sempre iguais, eu já estava sendo esgotado, consumido, por toda a energia carregada que havia naquele local. Era um ponto convergente de desgraçados e miseráveis. E isto me afetava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Volnei era um jovem rapaz que limpava incansavelmente o chão da instituição. Sempre comentava comigo sobre sua indignação, e sonhava com o dia de resolver todos aqueles problemas insolúveis. Volnei estudava Ciências Sociais na Universidade Federal, e como – quase – todos os cientistas sociais, era um utópico, um idealista, que ainda não havia cedido diante de toda esta distopia social que víamos diariamente. De origem humilde, o único emprego que podia lhe sustentar enquanto estudava, era este. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Frida, a recepcionista, era uma garotinha-mimada, que havia engravidado prematuramente e agora precisava trabalhar para sustentar a filha e a si mesma. Os pais a abnegaram quando o fato tornara-se notícia. Ela era uma garota de dezoito anos alucinada, frenética. Reclamava e bradava ordens o dia inteiro, brigava com os assistentes sociais, com os médicos, com os enfermeiros, com os malditos, e todos. Eu a odiava, pois quando ela me pegava de jeito, não havia santo que me livrava dela. Iniciava uma lamentação de sua vida, uns desabafos intermitentes, com uma voz renitente, que me enfadavam e consumiam. Já me bastavam os problemas de todos, ainda haveria de suportar aquilo. Eu não agüentava mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em uma segunda-feira, eu cheguei ao diretor do lar dos desamparados, e pedi minha exoneração. O diretor ficou perplexo, pois eu era um de seus melhores assistentes, o mais competente, o mais respeitado. De fato eu era agradado por todos, e o diretor me retorquiu dizendo que meu emprego além de ser bem-remunerado era almejado por vários estudantes de assistência social, por ser concursado, e que não encontraria outro melhor. Eu disse que já não agüentava mais, que meu idealismo havia sido decepado, cauterizado, e que eu gostaria de redimir minha vida, que havia sido deflagrada por todos aqueles miseráveis que atendia dia-após-dia. O diretor enfim aquiesceu. E eu fui embora, fracassado, falido, fraco, covarde. A minha luta pelo mundo estava acabada, não tinha mais forças. As desventuras tenazes de outrem me sugaram tudo o que eu tinha, toda a minha motivação, substancia, tudo. Eu já não podia mais lidar com o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago Muzulon&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111006739816331920?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111006739816331920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111006739816331920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111006739816331920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111006739816331920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/meu-trabalho-miservel.html' title='Meu trabalho miserável'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11246849.post-111006510505534786</id><published>2005-03-05T19:25:00.000-04:00</published><updated>2005-03-05T19:25:05.056-04:00</updated><title type='text'>Post inicial.</title><content type='html'>&lt;p class="mobile-post"&gt;&lt;DIV&gt;&lt;FONT face=Arial size=2&gt;Saudações, espero que algo bom seja feito por  aqui.&lt;/FONT&gt;&lt;/DIV&gt; &lt;DIV&gt;&lt;FONT face=Arial size=2&gt;Um beijo.&lt;/FONT&gt;&lt;/DIV&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11246849-111006510505534786?l=tratadodedesobediencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/feeds/111006510505534786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11246849&amp;postID=111006510505534786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111006510505534786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11246849/posts/default/111006510505534786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tratadodedesobediencia.blogspot.com/2005/03/post-inicial.html' title='Post inicial.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16817272545980074369</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
